MVP é um termo inglês que significa “Minimum Viable Product”. Em português é comum utilizar-se esta sigla, pelo que será essa denominação que iremos utilizar ao longo do artigo. Em português também é comum utilizar-se a tradução para “produto mínimo viável”.
O MVP é um produto com recursos suficientes para atrair consumidores e justificar a ideia de um produto no início do seu ciclo de desenvolvimento. A ideia é que se produza uma versão básica do produto real que deseja oferecer ao público e depois, observar a interação do consumidor com o produto/serviço. Não precisa ser muito complicado – pode ser algo tão simples como uma landing page com todas as informações relevantes, que dá a impressão de que é totalmente automatizada quando, na verdade, todo o trabalho de back office é feito manualmente. Podemos chamar isto a sua ‘primeira versão’ ou uma ‘versão simplificada’ do produto. Ao fazer isso, é possível manter os custos de desenvolvimento baixos na fase inicial, dando a oportunidade de avaliar a viabilidade do produto.
Quando se está na fase inicial de desenvolvimento do produto, é preciso garantir que os custos fiquem baixos o maior tempo possível, até que o produto / serviço possa começar a rentabilizar e, com sorte, recuperar o seu investimento inicial rapidamente. A última coisa que quer fazer é investir muito tempo e dinheiro num produto que não é viável e não lhe oferece retorno.
A ideia por trás de um MVP é fazer a menor quantidade de trabalho possível na fase inicial, para evitar colocar muitos recursos num produto que pode não ser tão bem-sucedido quanto esperava. Só porque parece uma boa ideia, não significa que essa seja a opinião da maioria. É aqui que saber determinar um produto mínimo viável o pode ajudar. Passar pelo processo de MVP permitirá que o feedback do utilizador seja recebido rapidamente, que os pontos fortes / fracos do produto sejam descobertos e que depois possa utilizar essas informações para o desenvolvimento do produto. Começando numa pequena escala, recebendo as dicas dos utilizadores e aprendendo com eles, poderá assim criar a melhor versão da sua ideia com o mínimo de esforço.
Este conceito provou ser muito popular com muitas startups pelo mundo fora quando estavam na fase inicial de testes. Muitas empresas famosas a nível mundial passaram por este processo antes de lançarem as versões finais dos seus sites e ganharem milhões. Os seus métodos foram simples, variados e bem sucedidos na execução. Aqui estão apenas alguns exemplos:
O Dropbox optou por produzir um pequeno vídeo, muito simples, que demonstrava como poderia ser fácil usar uma plataforma de partilha de ficheiros. Isto resultou numa imediata lista de espera de 75.000, todos a aguardar a versão beta, validando assim a hipótese.
O Facebook, por outro lado, optou por uma plataforma básica que permitia que alunos das mesmas turmas postassem mensagens em quadros partilhados e, portanto, permanecessem ligados. Através deste método, Zuckerberg conseguiu validar a sua ideia com feedback de um segmento muito restrito do mercado, antes de lançar em maior escala.
Os fundadores do Airbnb usaram o seu próprio apartamento como validação de conceito. Criaram um site muito simples onde partilharam fotos e detalhes sobre o imóvel. Não demorou muito para que tivessem uma longa lista de clientes e todos sabemos o sucesso desta simples ideia!
Tal como os exemplos acima, existem muitas outras marcas conhecidas e famosas a nível mundial que começaram desta forma. Os MVPs ajudam os gestores a validar as suas ideias com dados reais, assim testando os seus produtos antes de construir o “negócio real”. Este processo é o caminho mais curto e com maior valor para a sua primeira base de clientes. Economiza tempo e dinheiro e reduz o tempo de colocação no mercado quando se trata de lançamentos de novas funcionalidades mais adiante.
Certifique-se de que o MVP que planeou está alinhado com os objetivos do negócios e as metas estratégicas. Definiu uma meta de receitas? Qual é seu propósito? Irá atrair novos utilizadores? Essas são as perguntas iniciais que precisa fazer antes de iniciar o percurso. Se não se encaixar nas suas metas atuais, é melhor não seguir em frente por enquanto e voltar a pensar no assunto mais tarde – quando a ideia se encaixar melhor com seus objetivos.
Se constatar que a ideia é adequada às atuais necessidades do seu negócio, deve então identificar problemas específicos ou melhorias que deseja disponibilizar para os seus utilizadores. Pense cuidadosamente nas soluções que estes podem estar à procura. Precisará de ser estratégico quando se trata de decidir a funcionalidade limitada a ser incluída no seu MVP. Como ponto de partida, deve-se observar a pesquisa de utilizadores e a análise competitiva, a fim de criar uma base para a decisão sobre a funcionalidade do produto nesta fase. Além disso, considere os custos de implementação.
Depois de considerar os pontos acima, está na hora de elaborar um plano de desenvolvimento. O produto deve ser viável, além de proporcionar uma experiência de utilizador de alta qualidade. Deve ser capaz de vendê-lo como um produto!
Plano: Para construir um MVP, primeiro precisa desenhar um mapa do seu ecossistema – um diagrama que exibe todos os prováveis utilizadores do seu produto. Em seguida, precisa identificar o que esses utilizadores irão obter do produto – o valor do produto.
Receita e Distribuição: Depois de dar esses passos iniciais, é importante definir de onde vem a sua receita e como vai distribuir o produto.
Valor: Precisa de definir a proposta de valor para cada parte interessada no seu ecossistema. O que vão ganhar e o que estão dispostos a dar em troca? Nesta fase, também deve considerar quais são as maiores ‘dores’ dos seus utilizadores e onde pode agregar mais valor.
Critérios de Sucesso: Agora que passou pelas etapas de planeamento, finanças, distribuição e valor, deve estabelecer as suas expectativas. Como é o MVP final? Quanto é que o utilizador vai pagar para usar o MVP? Estas são as perguntas que precisa responder antes de seguir em frente.
Identifique os riscos: Como todos nós sabemos, não vivemos num mundo ideal e, portanto, faz sentido identificar possíveis obstáculos e possíveis falhas desde o início. Ao fazer isso, podemos ajudar a reduzir o risco de falha e perda financeira antes de construir um produto em grande escala.
Crie o seu caminho de valor: Lembre-se, esta não é uma corrida, é uma jornada. Portanto, esquematize a jornada de descoberta do cliente que o levará de onde está hoje até ao seu MVP final. Para tal, precisará de fazer algumas suposições. Considere entrevistas de desenvolvimento de clientes e funcionalidades de protótipo como formas de recolher dados para essas suposições. Até agora, assumiu que existe um mercado para o seu produto, mas precisa testar para ver se está certo. Uma maneira de fazer isso é criar uma landing page simples e monitorizar o tráfego.
O produto final: Depois de ter feito o que está indicado acima, se concluir que existe um mercado e que o seu é um produto viável, teste-o, oferecendo acessos grátis e monitorizando a resposta. Se a resposta for positiva, pode começar a construir o produto completo.
Incompreensão: Há um uso indevido comum deste termo por equipas que não entendem ao certo o significado pretendido do MVP ou a sua utilização. Muitos acreditam que um MVP equivale à menor quantidade de funcionalidade que podem oferecer, sem as etapas adicionais no processo de construção do MVP.
Incerteza: também pode haver alguma confusão entre um MVP (foco na aprendizagem) e um Recurso Mínimo Comercializável (Minimum Marketable Feature – MMF) ou Produto Mínimo Comercializável (Minimum Marketable Product – MMP) – ambos com foco nos ganhos. Isto não é um problema muito grande e não deve causar muitos danos, desde que o foco seja correto – entregar um produto que corresponda às necessidades do cliente, alcançando assim a sua satisfação.
Atenção aos pormenores: Outro problema comum é quando as equipas colocam muita ênfase na parte “mínima” do MVP e não o suficiente na parte “viável”. O resultado é um produto que não é de qualidade suficiente para fornecer uma avaliação precisa se os clientes irão utilizar ou não o produto.
Feedback do cliente: muitos entregam o que acreditam ser um ótimo MVP, mas não levam em consideração ou agem de acordo com o feedback do utilizador. Ao ignorar esse feedback e não fazer mais alterações no produto, é muito menos provável que o produto seja bem-sucedido.
Levando em consideração toda a informação acima, é seguro dizer que o MVP é um conceito comprovado que, quando feito corretamente, pode trazer muitas vantagens para um negócio. Não só poupa tempo, dinheiro e energia, mas também permite a construção e o desenvolvimento de um produto que se encaixa com o que o mercado deseja e que tenha mais probabilidade de sucesso – a melhor versão possível!
Todo este processo pode parecer muito exigente, desta forma, empresas especializadas, como uma startup studio, podem apoiá-lo ao longo do caminho, colocando os seus conhecimentos à sua disposição e ajudando-o a alcançar melhores resultados.